A Black Friday de 2026 será realizada em 27 de novembro e deve movimentar o comércio, mas o aumento das vendas também exige atenção às obrigações fiscais e contábeis. Para evitar que as promoções comprometam a rentabilidade, empresas precisam revisar a formação dos preços, o controle de estoque, a emissão de notas fiscais e o planejamento financeiro.
Uma projeção da Confi/Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil, estima que o comércio eletrônico movimente R$ 13,3 bilhões entre os dias 26 e 29 de novembro, crescimento de 20,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Nesse cenário, o aumento do faturamento não significa necessariamente maior lucro. Descontos, taxas de plataformas, fretes, publicidade e custos operacionais podem reduzir as margens das empresas. Por isso, o planejamento deve envolver tanto o empresário quanto a contabilidade.
5 cuidados fiscais e contábeis para a Black Friday
1. Revisar a formação dos preços e os descontos
Antes de anunciar promoções, a empresa precisa calcular o custo real dos produtos e serviços. A análise deve considerar o valor de aquisição, tributos, taxas de cartão, comissões de marketplaces, frete e despesas com divulgação.
Também é importante verificar como os descontos serão registrados nos documentos fiscais. No caso de descontos incondicionais, que não dependem de evento posterior e são informados na nota fiscal, o tratamento tributário pode ser diferente daquele aplicado aos descontos condicionais.
A contabilidade deve simular os efeitos das promoções sobre a margem de lucro e identificar o limite de desconto que o negócio consegue oferecer sem comprometer sua rentabilidade.
2. Controlar o estoque e as compras
A expectativa de aumento da procura exige planejamento das mercadorias disponíveis. A empresa deve analisar o histórico de vendas, identificar os produtos mais procurados e dimensionar as compras para evitar tanto a falta de itens quanto o excesso de estoque.
Comprar em grandes quantidades sem uma previsão adequada pode deixar recursos financeiros parados em mercadorias que não serão vendidas no período.
O controle também precisa integrar o estoque físico, as vendas realizadas em lojas virtuais e marketplaces e os registros contábeis. Assim, a empresa reduz o risco de divergências entre os produtos disponíveis e as movimentações registradas.
3. Conferir a emissão de notas fiscais e a tributação
O volume elevado de operações aumenta a necessidade de conferir os documentos fiscais emitidos. A empresa deve verificar a classificação tributária dos produtos, os códigos fiscais, os valores das operações e o tratamento dos descontos.
Também é importante acompanhar as vendas realizadas em diferentes canais, como lojas físicas, comércio eletrônico e marketplaces, para garantir que todas sejam registradas corretamente.
Empresas do Simples Nacional precisam acompanhar o faturamento acumulado e avaliar os efeitos do aumento das receitas sobre as faixas de tributação e os limites do regime.
4. Planejar o fluxo de caixa e o capital de giro
O aumento das vendas pode gerar um intervalo maior entre os pagamentos aos fornecedores e o recebimento dos valores dos consumidores.
Isso acontece, por exemplo, quando a empresa compra mercadorias antecipadamente, oferece parcelamento e recebe os valores das operadoras de cartão ou plataformas digitais em datas posteriores.
Por isso, o planejamento financeiro deve considerar os prazos de recebimento, as despesas com logística, publicidade e taxas de venda, além dos compromissos que vencem nos meses seguintes.
A análise ajuda a identificar se a empresa terá capital de giro suficiente para manter as operações mesmo depois do período promocional.
5. Organizar trocas, devoluções e cancelamentos
O aumento das vendas também pode elevar o volume de trocas, cancelamentos e devoluções. Nas compras realizadas fora do estabelecimento comercial, como pela internet, o consumidor tem direito de arrependimento no prazo de sete dias, conforme o artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor.
A empresa precisa organizar os procedimentos de atendimento, reembolso, retorno das mercadorias ao estoque e emissão dos documentos fiscais correspondentes.
O registro adequado dessas operações é importante para que os controles de estoque, as receitas e a apuração dos tributos reflitam as vendas efetivamente realizadas.
Reforma tributária exige atenção aos documentos fiscais
A Black Friday de 2026 ocorre durante o período de transição da reforma tributária sobre o consumo. Por isso, as empresas também precisam acompanhar as regras de emissão dos documentos fiscais eletrônicos e verificar se seus sistemas estão preparados para registrar as informações exigidas.
Desde janeiro de 2026, os contribuintes obrigados devem destacar individualmente a CBS e o IBS nos documentos fiscais eletrônicos, conforme os leiautes e as regras aplicáveis. O ano é considerado período de teste dos novos tributos, com dispensa de recolhimento para quem cumprir as obrigações previstas nas orientações oficiais.
As empresas do Simples Nacional não estão obrigadas a destacar esses tributos em 2026.
Análise dos resultados deve continuar após as promoções
O planejamento contábil não termina com o encerramento da Black Friday. Depois das vendas, a empresa deve comparar o faturamento com o lucro efetivamente obtido e avaliar os custos envolvidos na campanha.
Entre os indicadores que podem ser acompanhados estão a margem de lucro dos produtos promocionais, as despesas com publicidade e logística, o volume de devoluções, os itens que permaneceram no estoque e os tributos apurados.
Essas informações ajudam a identificar se as estratégias adotadas foram rentáveis e quais ajustes precisam ser feitos para as próximas campanhas.
Com o apoio da contabilidade, o empresário pode avaliar os resultados com mais precisão e evitar que o aumento das vendas resulte em problemas fiscais ou financeiros nos meses seguintes.
Fonte: Portal Contábeis.