
Em 2027, a Reforma Tributária vai mudar a conta das empresas de tecnologia de Santa Catarina que dependem de software e serviços digitais contratados no exterior.
Com o avanço do IVA Dual, formado pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), custos tributários podem ganhar peso em contratos de plataformas de nuvem, inteligência artificial e cibersegurança, enquanto empresas catarinenses que exportam tecnologia tendem a encontrar um cenário mais favorável, com a manutenção da desoneração das vendas ao exterior.
A mudança coloca a tributação internacional no radar estratégico das empresas catarinenses. A alíquota de referência do novo sistema poderá chegar a 26,5%, mas o impacto efetivo dependerá de cada operação e dos créditos tributários que poderão ser aproveitados.
“Quem contrata tecnologia do exterior precisa deixar de olhar apenas para o preço da assinatura. O custo final também envolve tributação, câmbio, retenções e obrigações acessórias. Com a reforma, essa conta tende a ficar mais transparente e terá impacto direto nas decisões de compra”, afirma Rodrigo Martins, vice-presidente da WTM International.
O custo da tecnologia importada
O impacto pode ser relevante para empresas catarinenses que utilizam soluções estrangeiras de SaaS, computação em nuvem, cibersegurança e inteligência artificial. Além da incidência dos novos tributos sobre importações, contratos recorrentes poderão precisar ser revistos à medida que os custos da operação forem recalculados.
Segundo ele, a questão não é apenas tributária, mas também comercial:
“Uma tecnologia pode ter um preço competitivo na origem e, ainda assim, ficar mais cara quando chega ao comprador brasileiro. Por isso, o cliente precisa considerar o custo total da contratação, e o fornecedor estrangeiro precisa entender essa realidade para definir sua estratégia de preço no país.”
A recomendação é que as empresas mapeiem as contratações internacionais, revisem contratos e simulem o impacto da transição sobre custos e margens. Sistemas de ERP e billing também precisarão ser adaptados para acompanhar as novas regras.
Exportadores catarinenses podem ganhar competitividade
Na outra ponta, empresas de tecnologia de Santa Catarina que vendem serviços para clientes no exterior podem encontrar um cenário mais favorável. A reforma mantém a desoneração das exportações e amplia a lógica de aproveitamento de créditos, o que pode reduzir distorções tributárias e melhorar a competitividade internacional.
Na prática, a desoneração evita que a tributação sobre o consumo no Brasil encareça os serviços de tecnologia vendidos por empresas catarinenses a clientes estrangeiros. O benefício, porém, dependerá da correta caracterização e comprovação da exportação.
“Santa Catarina tem um ecossistema de tecnologia com empresas que já exportam e outras em processo de internacionalização. Para essas companhias, a reforma pode representar uma oportunidade de competir em melhores condições, desde que a estrutura tributária e os controles estejam preparados para o novo modelo”, afirma.
Competitividade passa pela estrutura da operação
Para empresas estrangeiras que vendem tecnologia ao mercado catarinense, a mudança também pode alterar a estratégia comercial. Em vez de competir apenas pelo preço do software, será cada vez mais importante oferecer ao comprador uma operação simples, previsível e adequada às exigências fiscais brasileiras.
“A reforma tende a tornar a estrutura da operação parte da experiência de compra. Para o cliente brasileiro, existe uma diferença grande entre contratar uma tecnologia com câmbio, retenções e documentação internacional e fazer uma compra local, com previsibilidade fiscal. Isso pode se tornar um diferencial competitivo”, complementa.
Para o executivo, a reforma tributária passa a influenciar não apenas a área fiscal, mas decisões de preço, contratos, fornecedores e internacionalização:
“Para quem compra tecnologia fora, será preciso entender o novo custo. Para quem vende para o exterior, será importante capturar os ganhos de competitividade que o novo modelo pode proporcionar. A reforma coloca a estratégia tributária no centro da expansão internacional das empresas de tecnologia”.
Fonte: Assessoria
Fonte: Portal Contábeis.